Cerveja de Paneleiro / Chegada da Lívia

Trabalho em uma empresa com uma penca de funcionários. Temos pouco tempo para conhecer as pessoas. No início do ano, com a integração das equipes conheci o Evandro. Cara gente fina até o osso.

Conversando sobre cervejas (fato que raramente faço) acabei sabendo que ele era paneleiro e tinha pego o 18.° lugar em 100 num concurso de cervejeiros de panela com uma Red Ale.

Um dia ele pediu sugestão de receita. Sugeri uma IPA padrão.

Acredito ser costume geral, em sermos críticos demais com o que fazemos, talvez pelo trabalho que dá em brassar e produzir cerveja.

No resultado final ele disse que tinha ficado péssima e que errou no álcool (como todo bom paneleiro) e que os lúpulos usados eram ruins.

Um dia cheguei pra trabalhar atrasado (como de costume) e encontrei uma garrafa em minha mesa. Era ela. A IPA com teor abaixo e péssima, pois tinha feito uma combinação dos lúpulos TNT e Galena.

Coloquei na geladeira e uns dias depois abri. Quem me dera um dia chegar nesse padrão sendo paneleiro raiz.

Clarificação perfeita, bela cor e excelente drinkability (traduzindo: num churrasco eu tomaria um caminhão dessa cerveja). Realmente a combinação dos lúpulos não foi ideal, mas já tomei muita cerveja pior e com certo nome.

Depois dessa ele brassou uma Red Ale comemorativa ao nascimento de sua filha Lívia.

Me falou que só vai entregar para quem for visitar. Claro que usei do meu tradicional sarcasmo e disse: ” agora, pela cerveja, vou ter que te visitar”.

Lívia nasceu ontem, filha de pai paneleiro.

Que não falte saúde para a Lívia e que venham mais brassagens.

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